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Macarena Lobos Comportamento Freudiana do Leste · Abr 2026

Reflexões Estruturais e a Tirania das Máscaras

Macarena Lobos

Por Macarena Lobos

Produtora e Estrategista de Conteúdo · Colunista Leste

Seguimos, quase todas as mulheres, os padrões estabelecidos e sacramentados por milênios até ao nosso contemporâneo tempo do mundo moderno. Por mais que lutemos, damos voz aos nossos desejos, anseios e frustrações, a caminhada é estrutural. É tão tatuado no nosso DNA que chega ser invisível essa resistência à mudanças de hábitos e de crenças. Não enxergamos aonde e como padrões se enraizaram na personalidade feminina. Dentro dessa retórica, dois filmes me fizeram refletir e questionar nosso papel.

O primeiro deles é A Noiva, onde Frankenstein quer uma noiva porque ele se sente muito sozinho e eis que essa noiva sai totalmente do padrão estipulado de como uma mulher que papaia ser aceita deva se comportar. Irreverente e angustiante todo instante do filme ela grita por liberdade, mas ela não sabe nem como seria essa livre maneira de ser. Já a série Amor e Morte relata uma história real numa cidade americana com seus princípios cristãos e moralistas onde a mulher aceita e reconhecida é ser mãe e esposa. Não trabalha e vive para a família, e daí que vem o desfecho da história com uma crônica de uma morte anunciada. A personagem se esforça para ser a melhor mãe e uma melhor esposa, mas o senhor destino prega uma cilada no seu dia a dia de conto de fadas. Não temos controle sobre quase nada e, cuidado: com nossas boas intenções, seremos mal interpretadas. E o mais cruel: muitas vezes a mulher aprende que, se ela não seguir essas regras, ela vai ser chamada de frustrada, carente, louca, difícil...

Segundo Judith Butler, filósofa e teórica feminista, o que chamamos de 'ser mulher', muitas vezes é uma performance social: um conjunto de comportamentos repetidos (fala, postura, delicadeza, aparência e modo de agradar), onde a mulher é ensinada a atuar um papel para ser validada.

Como podemos interromper essa performance?

Como podemos, nós mulheres, soltar e quebrar regras? Interrompendo essa performance!

Dizer não sem justificar demais, parar de suavizar a própria opinião, não sorrir por obrigação, não pedir desculpas por existir. Aí sim estamos diante de uma reconstrução de identidade. Difícil? Sim... porém o processo é desafiador e necessário.

Seguimos em frente.

Reflexões Estruturais Psicanálise Revista Freudiana do Leste Abril 2026
Publicado em Freudiana do Leste · Abril 2026
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